Sintonizando a escuta ativa do eu

Sintonizando a escuta ativa do eu

Como lidaríamos com nossos desafios atuais se ouvíssemos nosso eu autêntico? Que escolhas faríamos se encontrássemos em nós mesmos as respostas? Como seria a nossa contribuição para a humanidade se soubéssemos quem somos em nossa essência original? Como estaria nosso emocional se tivéssemos autodomínio das nossas emoções? Como seriam nossos relacionamentos se soubéssemos resolver nossas questões internas sem descontar ou cobrar que a solução venha do outro

Aprendemos desde de pequenos a observar o mundo a nossa volta. Tudo é aprendido e percebido a partir do outro. O outro é a nossa fonte de inspiração e informação para tudo em nossos primeiros anos de vida. E é através do mundo externo que aprendemos a nos relacionar e a sobreviver. Com isso, permitimos que camadas se formem em nós, sem nem nos darmos conta de que existe um eu autêntico lá no fundo, que deveria ser nosso centro de atenção e desenvolvimento, mas que acaba ficando em segundo plano.

Não trabalhamos a visão de mundo a partir de nós mesmos, sob a nossa ótica. Não aprendemos a nos ouvir nem a ouvir Deus. Não fortalecemos nosso eu autêntico e a vida não espera. Diariamente somos expostos a todo tipo de situação. Nossas emoções são acionadas por gatilhos e estímulos externos o tempo todo, e nem sempre estarmos no controle das nossas reações. Por causa disso perdemos oportunidades de nos posicionar conscientemente quanto a forma que queremos vivenciar cada experiência. Na maioria das vezes reagimos por um impulso automático que visa nossa proteção, especialmente quanto ao que o outro vai pensar. Nos esquecemos de quem realmente somos em essência por causa das camadas que criamos para nos adequar ao mundo externo, aos padrões de aceitação impostos pela sociedade. Usamos máscaras e vivemos uma vida sem coerência, andando conforme a multidão, num fluxo imposto, pesado e cheio de cobranças.

Porém uma hora a conta chega! Não suportamos esse estilo de vida por muito tempo. E se não tomamos nenhuma providência, estaremos prejudicando nossa saúde em algum aspecto, seja físico, emocional, mental ou espiritual. Deveríamos ser os primeiros a nos acolher, nos respeitar e nos amar.
Na rotina frenética da corrida contra o tempo, dar uma pausa para nós mesmos é um desafio diário. Vivemos em uma geração acelerada na busca por resultados e que descarrega sobre nós uma tonelada de informação a cada segundo, que disputa nossa atenção a todo instante nas mídias e redes sociais. Dizemos que não temos tempo! Mas se não temos 15 minutos do nosso dia para dedicar a nós mesmos, então não temos vida!

Devemos aprender a parar, silenciar, nos ouvirmos e nos percebermos… “O que estou sentido? Minha reação é proporcional a essa situação? De onde vem esse sentimento? Isso me faz bem ou me faz sofrer? Que escolhas vou tomar a partir dessa reflexão? Há equilíbrio? Meu comportamento está alinhado com meus valores? Estou sendo autêntico nas minhas escolhas ou estou buscando agradar somente o outro? Que resultados quero obter a partir disso? ”.

Olhar para quem realmente somos e saber expor nossa verdade é o início de um processo de libertação de fardos e pesos que não nos pertencem. Esse movimento de sintonizar a escuta ativa do eu e não do outro, deve ser feito com amor, paciência e persistência. Meditação e silêncio são práticas que auxiliam nessa reconexão. Refletir sobre nossos reais valores e sobre o rumo que queremos dar para nossas vidas deve ser sempre a nossa prioridade. Humildade e sabedoria são importantes nessa jornada, pois o nosso coração é enganoso.

Sintonizar a escuta ativa do eu é um ato de amor próprio. Aprender a encontrar nosso ponto de equilíbrio entre o interno e o externo, entre a razão e o coração e em especial, encontrar nossa verdadeira identidade é um processo de desapego e de desconstrução. É uma jornada de reconexão com a fonte de todas as coisas que é Deus. É tomada de decisão que requer fé, coragem de ser vulnerável e percorrer um caminho novo, sozinhos, que vai contra a maré da sociedade, mas que vale muito a pena.