Você respeita o tempo?

Você respeita o tempo?

Quem nunca sentiu ansiedade na vida? Essa é uma emoção como qualquer outra, que em excesso, traz prejuízos para a saúde em todos os seus aspectos. Podemos observar que a ansiedade gera reações como inquietação, insatisfação, nervosismo, medo, apreensão, preocupação etc. que acabam ocasionando compulsão alimentar, vícios, consumismo, insônia, tensões musculares, mudanças de humor, angustia etc.

Mas o que seria a ansiedade?

No dicionário encontramos definições técnicas, mas de forma mais simplista, podemos associar a ansiedade ao excesso de futuro. Que seria, por exemplo, quando não queremos estar no momento presente, porque ele não nos satisfaz e desejamos logo o amanhã. Se é inverno, queremos logo o verão. Reclamamos do frio, do dia cinza, da quantidade de roupas que temos que usar… quando o verão chega, reclamamos do calor, dos insetos, da dificuldade para dormir, do suor e desejamos logo a próxima estação do ano. O amanhã sempre é melhor. Se temos inseguranças, medos, preocupações cuja solução acreditamos que não está no agora, mas no futuro, queremos fugir da realidade e muitas vezes perdemos a paciência de esperar o tempo certo para as coisas acontecerem e deixamos escoar por nossas mãos o momento presente porque não conseguimos aproveitá-lo.

No Sermão da Montanha, Jesus nos diz para não andarmos ansiosos por coisa alguma. Ele nos traz exemplos da natureza, como as aves do céu (que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros, mas tem suas necessidades supridas) e os lírios do campo (que crescem, não trabalham nem fiam e que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles). Se pararmos para observar, tudo na natureza flui sem esforço e não há falta de nada. Não há escassez se há respeito ao tempo. Cada estação do ano tem um objetivo e o momento certo de começar, processar e terminar. Nem antes e nem depois. Existe ordem e abundância.

Na nossa vida, não importa o que estamos passando, temos a tendência de definir as situações ou fases como boas ou como ruins. Se definimos como boa, não queremos que acabe. Se definimos como ruim, queremos que passe logo. Ou seja, estamos sempre querendo controlar o tempo ao invés de respeitá-lo.

Voltemos para a natureza. As folhas caem, os frutos também, os animais morrem, isso tudo no chão apodrece, se decompõe, vira adubo para que o novo surja. Toda essa morte e podridão, que parecem até ruins no contexto isolado, na verdade são necessários para que um novo ciclo de vida aconteça. As coisas são o que são. Se observamos no contexto geral perceberemos que não existem estações boas ou ruins. Tudo tem uma finalidade e um propósito. Dia e noite. Luz e trevas. Vida e morte. Tudo é necessário para que um ecossistema aconteça em harmonia e equilíbrio.

Na nossa vida também é assim quando nos permitimos usufruir do momento presente como ele é, sem desejar voltar ao passado ou chegar logo no futuro, sem definir se é bom ou ruim. É o que é. Tudo o que nos acontece é para nos mostrar algo, nos amadurecer, nos ensinar. Podemos tirar proveito de cada situação e escolher usufruir de cada fase da nossa vida com otimismo e gratidão. Devemos sempre lembrar que o futuro é uma imaginação do presente e que só o presente existe. Nós nunca deixamos o presente. Podemos dizer que o presente é o próprio tempo e que o tempo é precioso porque é cheio de possibilidades. Aprender a apreciar cada momento da vida e respeitar o tempo, pacifica a alma.